Entrevista (maio, 2014)

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Entrevista via e-mail para Helder Miranda – Jornal da Orla / Santos, SP – em Maio, 2014.

O que o público pode esperar do show “Quebra Vozes – o ballet vocal de Beto Hora e Alaor Coutinho”?

       Quebra-Vozes (parodiando o ballet Quebra-nozes) é um show musical de imitações, de artistas nacionais e internacionais muito consagrados, incluindo apresentadores, e personagens criados por Beto Hora para seu programa de rádio NA GERAL. Entretenimento bem-humorado, que homenageia os imitados, lembrando canções marcantes.

A parceria com Beto Hora dura mais de 20 anos. A que você atribui o sucesso desta parceria?

       O sucesso da parceria se deve principalmente a auto-crítica e ao respeito mútuo. O resultado é um show equilibrado, que coloca a qualidade do show acima da personalidade de cada um.

Foram centenas de apresentações ao longo deste tempo. Como é a sua relação com ele?

       Como já disse, nosso respeito profissional se transformou numa amizade sólida, difícil de abalar. Mas é um exercício permanente de bom-senso.

 Você é guitarrista autodidata e cantor. Como a música entrou em sua vida?

       Agora estou deixando de ser auto-didata, ou seja, pus a preguiça de lado e estou estudando um pouco de música !!! rsrsrsrs Mas desde criança a música teve muita importância para mim. Eu não pretendia me tornar um profissional, mas a brincadeira ficou séria e segui a carreira, mesmo sendo auto-didata.

E como locutor publicitário, como tudo começou?

       Eu gravava como cantor desde 1974, em jingles e discos. Mas a partir de 1977, passei a trabalhar em rádio, num momento em que se iniciava a expansão das emissoras de FM, e quebrava-se o paradigma dos “vozeirões” para apresentadores. A escolaridade foi fundamental, pois tenho facilidade para idiomas (inclusive para o dificílimo Português !!! rsrsr), bom texto, facilidade de comunicação. A publicidade veio a reboque.

Quando percebeu que as suas imitações eram boas, e quando elas começaram?

       Uma voz chama a atenção, vc tenta imitar. Quem ouve acha engraçado. Pronto ! A partir daí vc passa a observar mais, e vai adquirindo familiaridade com o registro. E arrisca  outras vozes. Sempre gostei de imitar os cantores/as.

Quem é mais fácil, e mais difícil de imitar? Já teve problema com alguma imitação (alguém se ofendeu)?

       Difíceis são as vozes que ficam fora da sua extensão vocal. Quanto mais naturalidade, melhor. Nunca tive problemas com isso, porque faço bom uso, sem agredir o personagem. O Beto idem.

Quem você gostaria de homenagear nestas imitações, e ainda não fez? Por que?

       Gostaria de imitar o Gilberto Gil. Eu o considero o artista musical mais completo que conheci. Também não consegui imitar a Elis Regina e o Milton Nascimento. Seria maravilhoso incluí-los em meu repertório.

Para você, existe algum limite para o humor?

       Quando o humor é muito chulo, histriônico ou ofensivo (bullying, por exemplo) eu não aprecio. Esses são meus limites.

E sobre a sua carreira de radialista, sente saudade desse contato diário com o público?

       O rádio foi uma excelente escola para mim. Adorava o contato com o público. Tenho ótimas lembranças. Mas estou fora há 25 anos, já me acostumei a ser ouvinte novamente. A música é minha prioridade.

Em seus programas de rádio, você se mostrou um profundo conhecedor musical. O que pensa sobre a atual safra da música brasileira?

       Não sou um musicólogo, um especialista. O que sempre procurei foi conhecer melhor os artistas e canções dos quais eu gosto, e passar essas informações. No tempo em que eu atuava na produção de rádio não havia internet. Era preciso garimpar em revistas, jornais, informativos das gravadoras, capas e encartes dos discos. Muita gente ficou com a impressão de que eu sou um profundo conhecedor, mas não sou. Por exemplo, sei pouco sobre jazz e música erudita.

Você afirmou que, quando se sentiu cerceado, por vezes rotulado como “didático”, preferiu sair do ar. Explique.

       Por vezes fui criticado por dar informações, como se isso fosse desnecessário.Nunca tive esse tom professoral, didático.  As emissoras musicais tornaram-se JUKEBOXES. Havia uma certa superficialidade. Entre outras coisas, isso me desestimulou a continuar no ar. Atualmente a mentalidade mudou bastante, talvez por vivermos esta era da informação.

Você utiliza o Facebook para se comunicar com o público e, também, para emitir suas opiniões. É muita exposição para uma figura pública? Qual é o papel do verdadeiro artista na internet?

       Seja nas redes sociais ou não, você pode e deve expor e defender seus pontos de vista. Teòricamente, um artista é um formador de opinião, ou ao menos sua opinião fica mais exposta. Não me incomodo com a exposição, e nem quero posar de engajado. Nem sempre comento o que leio. Atualmente tenho notado um tremendo retrocesso na postura política. Com tanta facilidade para comunicação, sinto um certo patrulhamento, informações truncadas, troca de ofensas. Política no Brasil está parecendo enfrentamento de torcidas organizadas de futebol . Como defendo o parlamentarismo com voto não obrigatório, nada do que está colocado me agrada. Considero nosso sistema falido. Democracia não é ausência de ditadura. Portanto levo pancadas de todo mundo !!!! kkkkkkkk Ainda bem que sei rir, inclusive de mim mesmo. Como dizem, sou responsável por aquilo que digo e escrevo, e não pelo que entendem.

O CÍRCULO – As Domingueiras da década de 1970.

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Pinheiros, Paulistano, Harmonia, Paineiras, Círculo Militar ….

Clubes consagrados – festas, bailes e shows memoráveis, bandas inesquecíveis.

Quem presenciou guarda com carinho muitas lembranças desses tempos, em que a Rua Augusta centralizava as tendências. Grande parte dos artistas nacionais e internacionais, que fizeram a trilha sonora dessa época, continuam vivos e atuantes. Canções se tornaram verdadeiros clássicos da cultura pop, e ainda conquistam e influenciam novas gerações.

Para manter vivas essas emoções, cinco músicos que começaram e consolidaram suas carreiras a partir desse momento brilhante, estão agora reunidos, para que você possa reviver tudo isso sempre que quiser.

 O CÍRCULO – grupo vocal e instrumental

Agregando as experiências de seus integrantes, no Brasil e no exterior.

 VIVIAN COSTA MANSO – vocal

Super Som T.A. / Harmony Cats / Sunday / Oldies Mobile

 HELIO “Steve McLean” COSTA MANSO – vocal / teclados

Mustangs / Sunday / Oldies Mobile

 OSVALDO FAGNANI – baixo / vocal

Premeditando o Breque / Rita Lee / Raul Seixas / Ultraje a Rigor

MARCIO GIFFORD – bateria

American Graffiti / Quarteto Irreverente / Banda Plexus

 ALAOR COUTINHO – vocal / Guitarra

American Graffiti / Rock Memory / Revolution / Sunday /Oldies Mobile

Jerry Adriani / Lilian Knapp

…………….

 O CÍRCULO

SÁBADO, 26 de Outubro de 2013, às 22 h, no THE ORLEANS (Vila Madalena).

Informações e reservas :  http://www.theorleans.com.br/

 

O porquê de me afastar do Carnaval

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Assisti em 1970,

a um filme estrelado por Jane Fonda – à época consagrada mundialmente como Barbarella – intitulado THEY SHOOT HORSES, DON’T THEY ? , dirigido por Sydney Pollack.

Uma história angustiante, ambientada no início dos anos 1930, momento de aguda crise econômica mundial, após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, ocorrida em 1929.

O filme recriou um concurso de dança, cujo vencedor seria o casal que superasse a exaustão de ininterruptas horas, dias, bailando. Verdadeira maratona, impulsionada pelo desespero, em troca de um punhado de moedas. Foi quando me dei conta de que no Brasil haviam copiado essa idéia nauseabunda: a TV Record, no início dos anos 1960, sob os auspícios dos produtos Orniex, promovia o Concurso de Resistência Carnavalesca, nos mesmo moldes. E transmitia ao vivo, horas a fio.

Lembro claramente, apesar da minha tenra idade na ocasião, de que aquelas imagens me transtornavam, atormentavam-me o sono. Qual a vantagem de extenuarem-se para vencer, por um prêmio não tão atraente, irrisório talvez ?

O filme, anos depois,

desvendou-me o mistério. A NOITE DOS DESESPERADOS, título em português, não traduz o verdadeiro sentido do título original, que se refere ao tiro de misericórdia desferido para encerrar o sofrimento de um cavalo que quebrou uma ou mais patas. Feliz e inconscientemente, minha intuição embrionária disparou um tiro de misericórdia no mau uso da alegria, da festa, da ingenuidade. Enfim, da cultura popular.

Desde então, perderam o encanto a bisnaga d’água, a minha receita de sangue-de-diabo (à base de comprimidos amassados de Lacto-Purga e amoníaco), os sacos de filó abarrotados de confetes coloridos, os rolos de serpentina cuidadosamente embrulhados em papel manteiga. Desencanto que alcançou até mesmo a cobiçada ampola lança-perfume. Restou um pesaroso feriado prolongado ….

Mas permanece na atmosfera das lembranças um aroma inebriante, o perfume das canções, a fragrância dos eternos sucessos carnavalescos.

Vamos cantar ?

“Confete, pedacinho colorido de saudade. Ai, ai, ai, ai …

Ao te ver na fantasia que usei,

confete, confesso que chorei !”

NOVA TEMPORADA Agosto / Setembro 2012

Depois de 5 apresentações lotadas em Junho e Julho passados, volta ao palco do TOM JAZZ o Show TUDO TEM IMITE – O Humor Musical de Beto Hora & Alaor Coutinho. A temporada se estenderá até o final de Setembro.

Anote na sua agenda : dias 21 e 28 de Agosto, e 6, 13, 20 e 27 de Setembro.

Para informações e reservas, acesse http://www.tomjazz.com.br .

SEJAM BEM VINDOS !

(PS – uma “canja” do show no YouTube ===> http://youtu.be/s3ncD_O0XlA )

Tudo tem imite !

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Foto Victor Andrade

Após 18 anos em cartaz apenas para empresas, Beto Hora & Alaor Coutinho estreiam curta temporada no Tom Jazz SP ( Av. Angélica, 2331 ), a partir do próximo dia 12 de Junho. No show Tudo tem … Imite , a dupla apresenta suas melhores imitações musicais, e Beto também traz consagrados personagens do programa Na Geral, que apresenta diariamente na Rádio Bandeirantes. Para mais informações e reservas, acesse http://www.tomjazz.com.br .

Aperitivo Creedence


Conforme já publiquei, eis a tradução da biografia italiana do Creedence Clearwater Revival, encomendada ao experimentado roqueiro Paulo Sisinno. O projeto, e a redação final ficarão por minha conta. À medida que os textos forem finalizados, serão disponibilizados aqui, no Brotox. O pequeno trecho abaixo ainda não foi remodelado, mas serve como aperitivo para os interessados. Bom proveito !!!

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A essência do CCR

Filosofia, sucesso e contraste com o ambiente californiano.

Esta premissa não pretende ser uma investigação sociológica sobre um período histórico-cultural, mas somente um enquadramento do período em que nasceu, se desenvolveu, atingiu o seu ápice criativo e expressivo, e afinal concluiu-se, o fenômeno CCR.

Para aqueles que estiverem interessados em conhecer melhor o movimento underground, hippie, yippie, etc., aconselhamos os textos de personagens como Ginsberg, Kerouac, Burroughs, Huxley, M. McClure, Ferlinghetti, Corso, Sanders, Mailer, Rubin, Leary, Hoffmann, Orlovsky, e mais especificamente as publicações “New Left”, de Jack Newfield e “Play Power”, de Richard Neville (uma espécie de diário de viagem e guia espiritual para várias gerações). Além disso, para uma visão global e uma crônica do movimento, o livro “Real, hippie yippie”, de Fernanda Pivano.

1968 – ano símbolo de contestações e reivindicações dos jovens, o “flower-power”, a psicodelia, etc. Ápice daquele movimento que teve o seu início nos primeiros anos da década de 50 com os famosos “reading” (leituras coletivas) sobre o dissenso beat, com os primeiros experimentos com o peiote e o ácido lisérgico, e com os estudos de filosofia oriental. Enfim, esta história já é bem conhecida, usada e abusada, e frequentemente mal-interpretada. Recordemos somente como etapas fundamentais desta evolução o “reading” de 1955 em São Francisco, que marcou o nascimento desta “revolução” e deste fermento cultural e sóciopolítico, costumeiramente chamado movimento beat, underground ou “contracultura”. Uma outra etapa fundamental, o segundo “reading” de poesia, dez anos depois, em 10 de junho de 1965, no Royal Albert Hall de Londres. Organizado por Allen Ginsberg, este evento antecipou o nascimento, em 1966, do movimento hippie, posteriormente consagrado em 14 de janeiro de 1967 em uma aglomeração, organizada pelo mesmo Ginsberg, no Golden Gate Park de São Francisco.

O ano de 1968 é também o ano da explosão da contestação estudantil de massa (ainda que a primeira ocupação da Universidade de Berkeley tenha ocorrido em 1965), que teve como líder reconhecido Mario Sávio. É também o ano de nascimento de grupos politizados como os SDS, Estudantes para a Sociedade Democrática, e os SNCC, Comitê dos Estudantes para a ação não violenta. Justamente naquele período, os hippies, ingênuos, pacíficos e não violentos, se juntam (ou melhor, são absorvidos) pelos grupos contestadores e se organizam em um partido chamado Yippies, ou YIP, Partido Internacional dos Jovens, guiados por Abbie Hoffmann, Paul Krassner e Jerry Rubin. O próprio Rubin escreve no seu famoso manifesto-programa: «1968 é o ano dos yippies … a Nova Esquerda criou o “teach-in”, os hippies criaram o “be-in”, e os yippies estão criando o “live-in” … ».

Em 1972, Peter Orlovsky diz a Fernanda Pivano: «Everybody grew a belly», isto é,  «todos ficaram barrigudos», para indicar o fim de uma aventura ou simplesmente a não desejada mas inelutável modificação das situações, dos comportamentos, das consciências, do ambiente, do pensamento e dos costumes em geral. O ponto que ninguém esperava intimamente que chegasse, mesmo tendo a consciência da impotência diante da inevitabilidade da mudança.

Tudo isto serve para introduzir esquematicamente o período em que se enquadra a história do Creedence, para analisá-la criticamente e historicamente; para compreender o seu pensamento e, sobretudo o seu crescimento e evolução através da figura central e determinante de John Cameron Fogerty.

1968 / 1972 – É justamente sob esta luz e neste contexto que se desenrola e se articula a esplêndida aventura do Creedence. Na Califórnia nascia um novo movimento, e na mesma Califórnia nascia uma nova música que, nutrindo mitos, esperanças e sonhos de liberdade, tornou-se representante e elemento propulsor, emocional-emotivo, catalisador e unificador para os jovens e para sua ideologia. O Creedence, mesmo não se identificando inteiramente com a comunidade de Frisco, como é conhecida São Francisco, nasceu neste contexto, e em poucos anos tornou-se a mais popular, famosa e rentável banda de Rock do mundo. Em 1970, o jornal Los Angeles Times classificava o CCR como: «O mais popular, potente e original grupo dos EUA nos dias atuais». Alguns críticos compararam a história do Creedence àquela de Cinderela, e outros – especificamente Dan Forte, da revista Guitar Player – a figura de John Fogerty àquela de Cassius Clay.

Entretanto, temos que detalhar e explicar brevemente os motivos pelos quais o input do grande sucesso comercial e o output da filosofia e da imagem do grupo, deram lugar a um feedback contraditório por parte de crítica e público. A carreira do Creedence foi uma contínua luta para equilibrar-se entre as exigências do público roqueiro mais radical e as glórias do “show business do Rock” e de suas engrenagens. A banda de fato conheceu a glória, o luxo e as honrarias, mas também conheceu não poucas amarguras e incompreensões por parte da comunidade hip; e somente o tempo evidenciou, indiscutivelmente, objetivamente e concretamente, a figura de Fogerty e o som do “Creedence” como matriz das raízes do rock dos anos 80.

Por um lado, o CCR manteve, durante quatro anos, um predomínio absoluto nas “paradas de sucesso” dos EUA, conseguindo 20 hits nos Top 10 (dos quais vários em primeiro lugar), tendo vendido mais de doze milhões de álbuns e sete milhões de compactos. (Mesmo atualmente, depois do grande sucesso de “Centerfield”, foram retomadas vertiginosamente as vendas do álbum “Live” oficial e da antologia “Chronicle”, que ganharam, respectivamente, um disco de ouro e um disco de platina).

O primeiro álbum do Creedence Clearwater Revival ganhou um disco de ouro (o que significa mais de um milhão de dólares de lucro!), enquanto os cinco discos seguintes ganharam um disco de platina (isto é, mais de um milhão de cópias vendidas e cerca de cinco milhões de dólares de lucro cada um!). Todos os compactos creditados ao grupo (com exceção do primeiro, “Suzie Q Part 1-2”) também conquistaram o disco de ouro.

Por outro lado, porém, a estética do grupo, tão enxuta, direta e simples não conseguiria livrar-se tão facilmente das acusações de superficialidade, comercialismo e falta de comprometimento. O dogmatismo e uma certa ortodoxia engajada da época classificariam a música do Creedence como “fácil” e “de supermercado”, e o grupo acabaria sendo injustamente sendo prejudicado por este extremismo.

De fato, muitos foram afetados negativamente pelo sucesso e pela imagem do grupo, que refletia e espelhava a escolha sistemática e constante pelo compacto de 45 rotações como veículo imediato de comunicação e expressão, sem compreender que a escolha da estética do “compacto” representava só e exclusivamente o ponto a partir do qual Fogerty & Cia. pretendiam realizar a sua obstinada e resoluta ideia: retomar as tradições e as construções mais genuínas, imediatas e instintivas da primeira fase do rock’n’roll e do rockabilly (Bill Haley, Elvis Presley, Carl Perkins, Barnett Brothers, Eddie Cochran, etc.) e revitalizá-las, adaptando-as à realidade e à vida quotidiana que eles mesmos viviam e sofriam. Atualmente, em plena fase de volta às raízes do rock, alguns dos grupos mais apreciados e qualificados (Los Lobos, Blasters, Phil Alvin) constroem suas sonoridades próprias com base na recuperação e assimilação/repetição das raízes e das sonoridades dos anos sessenta. Naquela época, entretanto, esta ligação de Fogerty, tão local e fiel a alguns valores considerados ultrapassados e obsoletos, e a serem obstinadamente transcendidos – foi sentida e considerada pela comunidade hip como estranha, adversa, ultrajante, reacionária e conservadora. O grande sucesso alcançado pelo grupo foi responsável pelo resto.
Em plena era psicodélica – Haight Hasbury, LSD, as longas músicas de mais de meia hora de duração, grupos politizados e raivosos como Country Joe & the Fish, Big Brother and Holding Company, Count Five, Moby Grape, Mistery Trend e suas “viagens” orientais, Great Society e seus 20 minutos de psicodélicos solos de sax – o CCR com apenas 3 minutos de Rock’n’Roll enérgicos, diretos e límpidos, que sempre se transformavam em sucessos das paradas, pareciam a muitas pessoas provocadores e imperdoáveis. Assim, o CCR, perfeitamente eqüidistante tanto da política tradicional, como do maniqueísmo que imperava na época, e do radicalismo exasperado de alguns movimentos, um grupo completamente autônomo, seja em relação à “Bubble-gum music” ou à psicodelia, seguindo coerentemente a sua direção própria, acabaram ficando de certo modo ideologicamente isolados; sempre e de qualquer modo discutidos, amados ou odiados, considerados ao mesmo tempo como precursores e estranhos à sua época.

O ponto focal para a explicação dos julgamentos contrastantes e opostos que acompanharam a carreira e a obra do Creedence nos leva, então, a dois fatores principais:

1) Em termos subjetivos: o CCR foi uma vítima de seu próprio tempo, principalmente de uma visão de mundo unilateral, dogmática e intransigentemente extremista do “Movimento” daquela época, que desdenhava com ferocidade e firmeza de muitos dos valores e dos símbolos representados pelo CCR. A este propósito, é interessante lembrar uma recente declaração de Jerry Rubin, ideólogo e fundador do movimento Yippie, auto-explicativa: «Nós éramos em princípio, e também um pouco ingenuamente, contrários e ferozmente contrários a tudo aquilo que representasse a eficiência; tudo aquilo que fosse “eficiente” era algo a ser combatido, não era politicamente justo; tudo aquilo que fosse ineficiente seria bom e politicamente justo. Nós pensávamos deste modo, sem considerar absolutamente as conseqüências e os resultados deste comportamento (interessante a relação com “O paradoxo das conseqüências” de Weber), não captávamos o sentido da realidade. Por exemplo, odiávamos o dinheiro e o sucesso, como representação de eficiência, sem entender que, de qualquer forma, a eficiência e os seus meios são básicas para a vida de qualquer organização».

Além disso, aquela revolução e evolução de costumes fortemente ligada a várias formas criativas, que se desenvolveu idealmente, cronologicamente e em simbiose com muitas áreas – da literatura, com Dos Passos, Faulkner, Hemingway, à música com Charlie Parker, que criando o “be-bop” criou também um novo estilo de vida, lançando as bases para a rebelião a qualquer regra e a qualquer conformismo – , atingiu o seu ápice justamente entre os anos 60 e 70, caracterizada frequentemente e fundamentalmente por conteúdos e manifestações externas provocatórias e chamativas. Basta pensar em Mike McLure, que escandalizou a todos inventando para as suas obras a linguagem “bestial”, para não falar da estreita ligação que unia todas as formas de expressão artística: das poesias e incitamentos à revolta de Timothy Leary, à filosofia oriental de Allen Ginsberg e Gary Snyder; até certos aspectos do rock’n’roll nascidos justamente das formas inovadoras dos jazzistas do bebop – como, por exemplo, a estética dos solos.

Em todos os estados e em todas as cidades, a música vivia em paralelo com os eventos sociais, de fato esta constituía o elemento propulsor que reforçava, com o blues, o jazz bebop, e com a explosão clamorosa e inovadora do rock, a união e a simbiose entre a música e o meio social, dando força e vigor às formas e às ideias musicais. Aquele foi um momento inigualável de fermentação, vivacidade e liberdade criativa e cultural. Em conseqüência, Rolf Ulrich Kaiser afirmou: «O fato de que a música daqueles tempos tenha sido chamada “O som de São Francisco” depende exc1usivamente de fatores extra-musicais, sobretudo sociológicos. Os grupos de Frisco frequentemente colaboravam entre si, viviam juntos em comunidade, condição essencial para um som coletivo».

2) ……….. (continua)

The Revival of Creedence

Em 1992,

20 anos após o término da banda, montei um grupo para tocar o repertório do Creedence Clearwater Revival. Em breve, publicarei um relato sobre essa iniciativa, além de uma  biografia, de 1987, traduzida do original italiano de Antonio Lodetti – da qual estou tentando obter os direitos de edição no Brasil – inspiração para meu projeto The Revival of Creedence.

Enquanto isso, você pode saborear esta biografia resumida da banda, extraída do sítio Creedence On Line, e praticar seu inglês. Bom proveito !

 

 

Creedence Clearwater Revival History

In 1958, rock music had passed its infancy. It was more like a toddler. These days, every high school in America (and in most places around the world) has several rock bands slugging it to play parties and concerts, in 1958 rock was not reputable. Not many high schools had a rock band, let alone junior highs.

Potola Jr. High, in the East Bay San Francisco Suburb of El Cerrito did. Called The Blue Velvets, they came together when John Fogerty and Doug Clifford discovered a mutual love of the blues, R&B and rock and roll. John bought an 80 dollar Sears Silvertone guitar and amp with a loan co-signed by his mom, earning the $88 to pay it back by delivering newspapers. He retreated to his room in the basement of his mother’s house and taught himself how to play. Doug balanced a used snare drum on a flower pot stand and played with two sticks he had lathed down from a couple of old pool cues.

Not satisfied with the sound, they invited Doug’s friend Stu Cook to join. Stu had studied classical piano for years, but also was hooked on the local R&B station, KWBR, in Oakland. Stu and Doug were born within hours of each other and because of their last names, never sat far from each other in school. The group became the Blue Velvets. By the end of 1959, they were playing sock hops, fairs and parties around the area.

Despite being one of the few ‘teen bands’ in the area, there were just so many sock hops they could play, and during the winter, county fairs are hard to come by. Still eager to perfect their craft, by 1961 the Blue Velvets were hanging around the local recording studios, backing up local artists. In 1959, the group made their first record with John on guitar, Doug on drums and Stu on piano. John recalled the song. “I had my garage band all through junior high and high school, and a semi-recording career, meaning I made my first record when I was in the ninth grade. Three of us from Creedence were the back-up band on a record by James Powell, a black singer from Richmond, California, on a small label, Christy Records. It was actually played on a local rhythm and blues station — I think it was KWBR — for about three weeks. It was a typical four-chord slow doowop song called ‘Beverly Angel..’”

At the same time the Blue Velvet’s were establishing themselves, John’s older brother Tom also a gigged locally as a musician and singer. He was doing the high school dance circuit with a band called The Playboys. His vocals were so impressive that he was asked to join one of the top groups in the area, Spider Webb and the Insects. They say he did a version of Bobby Freeman’s “Do You Wanna Dance” that would elicit shrieks of delight from the girls in the audience. He also would occasionally sit in with his brother’s band.

Spider Webb and The Insects broke up in 1959. Shortly after they recorded the tune with Powell, Tom asked his brother’s band to back him on a demo. While their friends and family enjoyed the recording of Tom’s two tunes, the artists like Pat Boone to whom they sent it returned the tunes with rejection notices. Tom wanted to keep his rock and roll dreams alive, although he was already married and working for the local utility company. He convinced Stu, Doug and his younger brother that he could be an asset to them. He was, after all, considerably older (four years) and already, through his days with Spider Webb, was a local hero on vocals. John had not yet started singing, so most of the Blue Velvets repertoire was instrumental. By Fall of 1960, Tommy Fogerty and the Blue Velvets (as they were now billed) played all of the usual haunts, the school sock hops, parties, fairs and the like throughout Northern California.

They also continued to record demos. In 1961, a small Bay Area record company called Orchestra decided they liked a tape of two Fogerty and Fogerty compositions called “Come On Baby” and “Oh! My Love” enough to press them.. A month later, Orchestra released another pair of Fogerty and Fogerty compositions, “Have You Ever Been Lonely” and “Bonita.” In June, 1962, Orchestra gave the band one more chance. They put out Tommy Fogerty and The Blue Velvets’ “Yes You Did,” backed with “Now You’re Not Mine.” The record did far more poorly than the previous release. “It died,” Tom would say years later, “before it even came out.” This would be the last record Tommy Fogerty and The Blue Velvets ever put out.

In 1963, a jazz artist named Vince Guaraldi put out a single called “Cast Your Fate To The Wind.” It became that rarest of entities, a jazz instrumental hit. PBS did a special on the “Anatomy of a Hit.” Watching this special, the band got excited when they discovered the label was Fantasy, still across the bay in San Francisco. The fact that a local record company was breaking music on a national scale impressed the band. In March of 1964, John and Tom took some Blue Velvet’s original instrumentals to Fantasy, hoping to sell the tunes to Guaraldi.

The band’s energy and audacity impressed Fantasy records co-founder Max Weiss. He signed them as a rock group rather than just for their instrumentals. He also suggested they change their name, the Blue Velvets sounding so passe and 50s. They chose The Visions. Between the time they recorded “Little Girl (Does Your Mama Know)” b/w “Don’t Tell Me No Lies” and the release of the 45, Beatlemania happened. Hoping to capitalize on this, without having to go to England and sign a Merseybeat band, Weiss released the record as “The Golliwogs” a sobriquet the band would live with for the next three and a half years.

LP Coletânea de "singles" The Golliwogs

Like the Blue Velvets before them, the Golliwogs played frat parties, military bases, and, despite being considerably shy of their twentyfirst birthdays (except for Tom, who had four years on the rest of the band) bars up and down the West Coast. The public address systems at most of their gigs were of dubious or nonexistent quality. This proved to be a bit of a strain on Tom. During a down period in the band, John had taken a two week gig up in Oregon and developed some confidence in his own singing. John started taking over the vocal chores. He screamed the vocal to compensate for the poor PA systems and developed that raspy, blues dripping holler that would be his trademark from then on.

Stu, in the meantime, was moving from piano to electric bass. Tom was becoming more proficient on guitar. They started working out these musical changes at any venue that would pay them for playing. One of these places was a go go bar in Berkeley called The Monkey Inn, which they would later describe as “a scuzzy beer tavern.” It played a formative roll in the band’s development.

Being musicians was not paying the bills, though. Now out of High School, the Golliwogs had to go to work to support their musical habit. Tom had his job with the power company and a young family. Stu and Doug went to San Jose State College, pledging the same frat. John got on the payroll at Fantasy as a shipping clerk. They practiced evenings and played weekends. John honed his chops in the studio. And the Golliwogs made records. These were also formative years for John Fogerty the songwriter. He worked hard at his craft, but in retrospect, he called most of the Golliwogs’ songs “very contrived. Everything I could think of in a commercial record, I’d stick in.”

During October of ’65 they recorded a song called “Brown Eyed Girl” (not the Van Morrison tune). It started to make a buzz and actually sold better than 10,000 copies. It was the only single the Golliwogs made that wasn’t a total stiff. However the follow up to “Brown Eyed Girl,” a Tom Fogerty composition called “Walk on the Water” failed to generate any excitement at all. (An updated version on Creedence Clearwater’s debut album several years later, would.). The Golliwogs remained undaunted and kept on honing their craft.

They did the frat/bar/club scene for three years. Doug had quit school and gone to work by this time. Stu’s dad, a lawyer, had a law school all picked out for his son, now into his last year at San Jose State. Tom was into his fifth year with the power company. Uncle Sam notified John and Doug that he wanted them. They became reservists in different branches of the service. During their six months of active duty, the band got put on a back burner. Stu graduated at about the same time as John and Doug finished their tour of active duty. While they still faced monthly meetings and camp, this meant nothing more inconvenient than going entire weekends without sleep every now and again. However, none of the Golliwogs were kids anymore. By the Summer of 1967, the members of the band faced hard choices about what to do when they grew up. The fate of the Golliwogs was uncertain.

Stu sold the car his father had given him as a graduation gift. He and Doug rented a small pink house, where the band hung out and rehearsed. Tom quit his job. They pooled their money, paying off the creditors with the shotguns and leaving the rest until they also got nasty. They played as often as they could get jobs, and the money started to get a little better, but not much.

By fall, the band was in pretty dire straits The Weiss Brothers had been in the record business for nearly 20 years, and had a lucrative plastics business even before that. They were ready to get out of the business and take it easy. Saul Zaentz, a salesman for the company, put together a group of investors and bought Fantasy. As a shipping clerk, Fogerty knew Zaentz, and Zaentz knew Fogerty. They had a good relationship. He told John that he liked the Golliwogs, but they needed to make some changes. He saw what was happening in the Bay Area music scene with the rise of “underground radio” and venues like the Filmore presenting shows with groups like The Grateful Dead and The Great Society (who would become the Jefferson Airplane). They changed the name to Creedence Clearwater Revival, after a friend of a friend of Tom’s, Credence Nuball. The first name, with its connotations of believability and integrity, appealed to the group. Clearwater also had two meanings. It came initially from a beer commercial, but also resonated with the burgeoning environmental movement of the time. Revival, however, had one meaning. It was the band’s aspiration, that after four years as the Golliwogs, after ten years of playing together, this new change in their fortunes would take the band where they all knew it could go. John would often say, “The most important part was revival.”

CCR 's First Album

The newly named band released a single, Porterville, then went into the studio to cut their album. One of the tunes they cut was an extended version of one of their live favorites, Dale Hawkins’ “Susie Q.” Even before the album was pressed, “Suzy Q” was on the radio. KMPX one of the more popular free-form FM stations in the Bay Area, played tapes the band brought them after the band had supported a DJ strike, playing a benefit concert, and the like. So even before the record came out, it started to generate excitement on the West Coast. They played to a packed house at the LA club The Cheetah. Bill Drake, one of the most powerful people in pop radio at the time, decided he really liked the tune and suggested it to the radio stations that used his services.

At this juncture, though, the band couldn’t go too far from home. Doug and John still had to get to reserve camp one weekend a month. This impediment disappeared as they both got discharged from the service at almost the same time. In 1969 the group charted with three separate albums. Their eponymous debut, Creedence Clearwater Revival peaked at #52. Bayou Country peaked at #7, largely on the strength of the monster hit single, “Proud Mary.” That tune topped out at #2 on the charts, beginning of a long history of songs by the band that go shut out of the top spot on the chart. The third LP of the year, Green River also hits #7, the song “Bad Moon Rising” peaking at #2.

The band headlined at Woodstock, although by the time they got on, following the Grateful Dead, it was three in the morning. Few people were awake to see them. They didn’t want to be in the film because none of them were particularly happy with the performance. They weren’t on any of the albums because Cotillion (the label on which the film soundtrack came out) couldn’t strike an agreement with Fantasy for release rights on their biggest money maker. Anything CCR, at the height of their fame, came out on Fantasy. (The 1994 Atlantic Records release of the four-CD remastered Woodstock set features 5 Creedence songs from their performance.)

Willy and the Poor Boys, appeared near the beginning of 1970, peaking at #3 on the album charts. The single “Down on the Corner,” released late in 1969, foreshadowed the album. The a-side of the singe reaches a chart peak of #3. The flip side, “Fortunate Son,” has a chart peak of #14. The album also featured several other notable songs, like a reworking of Leadbelly’s “Midnight Special.” “It Came Out Of the Sky” showed John’s prescience as a songwriter, taking one of the first musical swipes at Ronald Regan. The band toured all over America, mostly playing weekends.

After ten years of struggle, the year and a half of astonishing success started to spawn dissension in the band. Fogerty took the reigns hard. When the band recorded “Down On the Corner,” one band member complained, `This isn’t rock and roll.’ Looking for outside satisfaction, Doug produced a record for Mark Spoelestra. Cosmo’s Factory came out in September of 70. The album has a chart peak at #1, both in America and in England, the band’s only #1 album over there. “Traveling Band” had already had a chart peak at #2. “Who’ll Stop The Rain,” the single’s B-side, hit #13. One of Fogerty’s first public political statements (aside from the gentle jibe in “It Came Out of the Sky,”) the song is an allegory about the situation in Vietnam.

When the Beatles announced their break up in the winter of 1970, CCR became the most successful band and the biggest singles act in the world, despite never landing a #1 single. Always very private, the group never became stars personally to befit their status on the pop charts. They sought to change that with the release of Pendulum. Before the album’s release, they had a fan type book written. Called “Inside Creedence”, the book took about six weeks from the time it was conceived until it was actually published, coincidental with the release of Pendulum. In fact, many copies of the book were sold packaged with the record. The band also made a television special and had a $30,000 press junket to ballyhoo the album. The record shipped a million copies.

There were signs of internal dissension at the junket party. Stu Cook beefed to Rolling Stone about lack of respect he felt the band received. “We’re tired of that riff about John Fogerty’s back-up band.” Tom Fogerty, although one of the instigators of the party, became reticent during the event. He’s the only band member not directly quoted in the coverage.

In 1971, Tom left the band. “I started out in this business in 1958 as a stand up singer,” he said later. “I got really frustrated at not being able to be everything I wanted to be when I started outI left because of a falling out between John and I about the music itself and how much I could contribute.”

The band decided to continue as not only a trio, but a democracy. Unfortunately, the members all had different ideas about how to democratize the band. The result is Mardi Gras, referred to as the worst record ever made by a major band. After touring Europe as a trio, the band called it a day on October 16, 1972.

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