Macumbinha e o Jequibau

 

Macumbinha, o violão do Jequibau

 

O violonista negro Macumbinha era um sujeito alegre, músico habilidoso, que aderiu ao Jequibau desde sua criação pelos maestros Cyro Pereira e Mário Albanese.

Cyro era da equipe de maestros da TV Record, na época dos musicais e dos Festivais nos anos 1960. Ele e Albanese criaram em 1965 esse ritmo novo que nunca fez sucesso, mesmo sendo gravado por estrangeiros e brasileiros radicados no exterior, e do qual poucos se lembram. Costuma-se atribuir essa resistência ao Jequibau à rejeição pela inovação, e à sua sofisticação. Talvez um falso purismo. Um fato paroxal para uma época de explosão de criatividade e expressão artística.

Macumbinha, entre outros gêneros, executava com maestria o Jequibau no Teatro de Arena (hoje Eugenio Kusnet) em São Paulo, e dizem ter-se suicidado por não conseguir pagar as dívidas e ver a família passando necessidades. Seus amigos afirmam que foi um acidente, com vazamento de gás, pois seu comportamento habitual nunca denunciou o menor vestígio de uma atitude tão drástica.

Um prodígio precocemente desaparecido, que não conseguia sequer sobreviver de seu inegável talento. Macumbinha faleceu em 30 de Junho de 1977, aos 26 anos.

Biografia / Macumbinha

(colhida nas páginas dos Violões DiGiorgio e Dicionário MPB Cravo Albin. Necessita correções e complementos)

Macumbinha (nome?) nasceu em São Paulo/SP em ??/??/ 1951.
Com o pai Mário Mathias, também violonista, Macumbinha encontrou um ambiente propício para o aprendizado.
Aos 5 anos, tocando sanfona, apresentou-se com a cantora Carmen Costa no programa de Geraldo Blota, na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Aos 7 anos ganhou um violão Di Giorgio de seu pai.

Novos rumos

Em 1966, apresentou-se no programa “Improviso”, da Rádio Record de São Paulo, apresentado e produzido por Mario Albanese. Acompanhou a baterista Elizabeth Del Grande, com 13 anos. Albanese lançara o jequibau no ano anterior, juntamente com o maestro Cyro Pereira, um ritmo em compasso de 5 tempos. Esse contato estabeleceu um caminho para Macumbinha. Hoje, Elizabeth Del Grande é percussionista da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.

Mudando de endereço

Nesse período, Macumbinha foi autorizado pelos pais a residir na casa de Mario Albanese, cujos esposa e  5 filhos, contribuíram favoravelmente para que ele se desenvolvesse social e musicalmente.

Duo com Silvio Santisteban

Sílvio Santisteban conheceu Mário Albanese aos 15 anos de idade. Logo se tornou o primeiro violonista do mundo a gravar o jequibau no LP “Six Strings Poetry”, editado pela Epic Records dos Estados Unidos. Na mesma faixa de idade, identificados pela música e pela proximidade com Albanese, Silvio e Macumbinha consolidaram seu envolvimento técnico musical formando um duo de violões entrosado e simplesmente notável. Nasceu daí a idéia da produção do LP “Violão em Duas Cores”.

Programas de Rádio e TV

A partir de 1967, começa na TV Cultura de São Paulo o primeiro programa dedicado a ensinar violão pela televisão. “Vamos aprender violão?” – patrocinado por Violões DiGiorgio – era protagonizado por Mário Albanese , Sílvio Santisteban e Macumbinha. Outros programas do gênero foram: “Programa Mário Albanese”, música com entrevistas e notícias,  e “O Assunto é Violão” – um programa transmitido diariamente em dois horários pela Rádio Excelsior de São Paulo, também produzido e apresentado por Mário Albanese, tendo Macumbinha e Silvio Santisteban como participantes efetivos.

Concurso de violão

No ano de 1967, “O Assunto é Violão”, com o patrocínio da Di Giorgio, lançou um concurso para violonistas amadores, e assim revelar novos instrumentistas. Destacaram-se  Odair Assad Simão, de 11 anos, 1.º lugar na categoria infanto-juvenil, e seu irmão Sérgio Assad Simão, 1.º lugar na categoria violão popular. Atualmente eles se apresentam como “Duo Assad”, com renomado prestígio internacional.
Macumbinha foi um dos jurados na comissão julgadora, também composta pelo prof. Oscar Magalhães Guerra, Benedito Moreira, Adjaci Morici, Mario Albanese, Paulinho Nogueira, Silvio Santisteban, Salvador Viola e Reinaldo Di Giorgio.

Final de uma “época de ouro”

Depois de todo esse sucesso, no início da década de 70, a TV Cultura, canal 2, foi vendida para tornar-se a Fundação Padre Anchieta. A Rádio Excelsior passou a ter uma programação exclusivamente de sucessos internacionais. O violão cedeu seu espaço à guitarra elétrica. Diante dessas mudanças de rumo, os músicos de instrumentos acústicos tiveram um cerceamento muito grande no seu campo de trabalho. Macumbinha, de extraordinário valor como intérprete, aprimorou-se no acompanhamento de nomes famosos como: a internacional Suzana Colonna, Wilson Simonal, Leni Andrade, Jair Rodrigues, Cláudia, Hermeto e outros, além de atuar em bares e casas noturnas.

Formando seu conjunto: em 1973, Macumbinha chegou a fazer um conjunto musical, formado por Moacir no piano, Daniel no contrabaixo, Murtinho na bateria, Rosamaria como cantora, e ele ao violão, apresentando-se com músicas brasileiras.

Nos anos 1970, acompanhou vários artistas, como Suzana Colonna, Wilson Simonal, Leny Andrade, Jair Rodrigues, Cláudia e Hermeto Pascoal , entre outros. Participou de gravações com orquestra de estúdio e conjunto.

Em 1973, formou um conjunto com Moacir (piano), Daniel (contrabaixo), Murtinho (bateria) e Rosamaria (voz), com o qual se apresentou em bares e casas noturnas. Nesse mesmo ano, gravou, integrando o grupo Macumbinha e Família, sua música “Na escadaria” (c/ Mutinho) no disco “Catedral do samba”, lançado pela gravadora Phonogram (hoje Universal Music). Ainda em 1973, acompanhou o compositor Pedro Caetano no programa “MPB-Especial” (TV Cultura/SP), dirigido por Fernando Faro, e lançado em CD em 2001, num trabalho conjunto da emissora com o SESC/SP.

Divulgador, ao lado de Sílvio Santisteban, do ritmo “jequibau”, criado por Mário Albanese, faleceu prematuramente no dia 30 de junho de 1977, em seu apartamento, em São Paulo, juntamente com a família, num acidente com vazamento de gás.

Em 2003, Silvio Santisteban produziu, a partir do acervo de Mario Albanese, uma biografia do amigo, generosamente cedida para a confecção deste verbete.

7 responses to this post.

  1. Posted by Paulo on 4 de Setembro de 2010 at 0:44

    Procuro qualquer registro musical do violonista Macumbinha que uma vez só vi ao vivo na Loja de violões Di Giorgio em Santana e que nunca mais esqueci. Depois fui assistir algumas apresentações suas na TV. Gostaria de prestar uma homenagem a esse talento injustiçado por todos nós brasileiros e que nos deixou muito cedo.
    Se alguem tiver algo, por favor me avise

    Paulo Ensinas

    Responder

    • Posted by Augusto Senna on 15 de Novembro de 2010 at 20:48

      Caro Paulo,

      Em resposta ao seu questionamento, digo-lhe que só conheço um registro do guitarrista Macumbinha no LP do Zeca do Trombone & Roberto Sax, confie e confira no link abaixo:

      http://riogroovefm.blogspot.com/2009/02/zeca-do-trombone-robertinho-sax-1976.html

      Augusto Senna

      Responder

    • Posted by SHEYLA CRUZ DO VALLE on 30 de Junho de 2012 at 19:25

      Pois é Paulo, parece não haver mais nada sobre o “MACUMBINHA”. Também procurei registros outros, quer musicais, fotos e etc… sobre e ou do querido e sorridente, eterno moleque e excelente músico instrumentista violonista, divulgador do rítmo “jequibau” e, infelizmente também não encontrei, exceto o resumo biográfio-artístico, no Diionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira (internet), com dados fornecidos por seu parceiro violonista, Sílvio Santisteban.
      Nem nos relatos do maestro Mário Albanese, criador junto com Ciro Pereira. do rítmo “jeuibau” vi referência à sua pessoa e se não houver será uma grande injustiça.
      Vou continuar procurando. Quem sabe encontremos pesquisando sobre Mário Albanese (maestro) e Ciro Pereira, ou por “JEQUIBAU”, ou Sílvio Santiteban.

      Exatamente hoje, é aniversário de morte de MACUMBINHA.

      35 ANOS SE PASSARAM, pois ele faleceu juntamente com sua esposa e filhos, no dia 30 de junho de 1977,

      SAUDADES DE SUA FIGURA E DE SEU MAGNÍFICO VIOLÃO.

      MEU SIGELO “SALVE!!!” EM SUA MEMÓRIA E EXCELÊNCIA MUSICAL, MESTRE MACUMBINHA.

      Responder

    • Posted by SHEYLA CRUZ DO VALLE on 30 de Junho de 2012 at 20:12

      P.S. Acabei esquecendo de assinar o meu comentário sobre MACUMBINHA, feito logo acima.

      ASSINO :- Sheyla Cruz do Valle

      Minhas desculpas à você Paulo Ensinas, e respeitosamente à todos, pois o meu esquecimento foi fruto de sentimentos conturbados, de profunda tristeza, revolta e indignação, diante da injustiça, falta de reconhecimento e ausência de créditos ao músico instrumentista Macumbinha,

      Sheyla cruz do Valle

      Responder

      • Muito agradecido, Sheyla. Vamos continuar na busca. O Brotox está à disposição de todos que puderem contribuir para a memória de nossa música, e de nossos músicos. Até breve.

  2. Posted by Waldemar Botelho jr.foguinho on 18 de Novembro de 2014 at 0:02

    Em 1967 gravamos uma composição do MARIO ALBANESE chamada GAMBOA com à participação do MACUMBINHA no ritmo jequibau,andamento de 5 X 4.O nome do grupo era THE JORDANS

    Responder

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