Distorsamba e o Mundo

Letra do samba-falado (hoje seria um samba-rap?) que compus em Dezembro de 1968, ao concluir o Curso Ginasial no Colégio de Aplicação, logo após a edição do AI-5. Em Setembro de 1969, conquistei o 4º lugar no Festival de Música no Colégio Rio Branco, onde cursei o Colegial.

Tinha em mente minhas últimas aulas de História do Brasil, e me peguntava qual a diferença entre o regime vigente, e o que se propunha em conversas que eu ouvia. Naquele momento  já começava a entender que ambos não me satisfariam, daí as frases-bordão entre aspas, significando as ideologias e os costumes que se contrapunham.

Com a Tropicália ecoando na cabeça, compus um samba, tocado com guitarra elétrica, sem melodia nas palavras, pois o tema pedia discurso. Apenas o refrão (em negrito) era cantado.

As drogas às quais me referi são os compostos químicos que passaram a fazer parte do nosso cotidiano, como se inofensivas fossem, e não as drogas ilícitas, cujo consumo sempre combati, mesmo sendo duramente criticado em diversas ocasiões.

Leiam ao som de suas lembranças daquele ano de 1968, batizado de “O ano que não terminou” por Zuenir Ventura.

DISTORSAMBA E O MUNDO

“Tudo começou com um homem e uma mulher.”

“É proibido proibir.”

Se as drogas não acabarem comigo,

Talvez eu possa ver o mundo imundo,

oriundo de um homem e uma mulher,

com sangue de adrenalina, cérebro de anfetamina,

ingerindo stenamina deitado na piscina

do sangue azul da burguesia capitalista,

altiva, que se quisesse nos afogaria

numa taça de saliva.

Se o mundo aprendesse na minha escola …

“Amai-vos uns aos outros.”

“Os intelectuais burgueses são tigres de papel.”

Viva e deixe viver a vida,

aquele que baseia sua vida

no cultivo de uma simbologia sexual,

material imoral

para quem está enquadrado

neste mundo quadrado, bitolado, boicotado,

imundo,

oriundo de um homem e uma mulher.

Se o mundo aprendesse na minha escola …

Talvez esteja eu indeciso,

mas acho que preciso ser mais preciso

no meu modo de pensar e agir.

Porque este mundo precisa subir,

se espiritualizar,

atingir aquela idade

em que se finda o tabu da virgindade,

que na realidade, não passe de uma imbecilidade

retratada em palavras patéticas,

um pouco fora de estética, mas

que às vezes se tornam poéticas,

neste mundo imundo,

oriundo de um homem e uma mulher.

Se o mundo aprendesse na minha escola,

não se afogaria em Coca-Cola

(que tem prêmio na tampinha, uma piadinha!).

Não me conformo com a bitola.

2 responses to this post.

  1. Posted by Bê neviani on 10 de Janeiro de 2010 at 13:37

    Quem é o autor desse poema,por favor?

    Responder

    • O post estava incompleto. Agora está todo explicado. Falta inserir uma foto do Festival, bem como a do troféu, ambas guardadas com muito carinho há 40 anos. Agradeço a visita. O Brotox está em construção, mas em breve vou divulgar com mais segurança. Noblesse oblige, n’est-ce pas?

      Responder

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