O porquê de me afastar do Carnaval

Imagem

 

Assisti em 1970,

a um filme estrelado por Jane Fonda – à época consagrada mundialmente como Barbarella – intitulado THEY SHOOT HORSES, DON’T THEY ? , dirigido por Sydney Pollack.

Uma história angustiante, ambientada no início dos anos 1930, momento de aguda crise econômica mundial, após a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, ocorrida em 1929.

O filme recriou um concurso de dança, cujo vencedor seria o casal que superasse a exaustão de ininterruptas horas, dias, bailando. Verdadeira maratona, impulsionada pelo desespero, em troca de um punhado de moedas. Foi quando me dei conta de que no Brasil haviam copiado essa idéia nauseabunda: a TV Record, no início dos anos 1960, sob os auspícios dos produtos Orniex, promovia o Concurso de Resistência Carnavalesca, nos mesmo moldes. E transmitia ao vivo, horas a fio.

Lembro claramente, apesar da minha tenra idade na ocasião, de que aquelas imagens me transtornavam, atormentavam-me o sono. Qual a vantagem de extenuarem-se para vencer, por um prêmio não tão atraente, irrisório talvez ?

O filme, anos depois,

desvendou-me o mistério. A NOITE DOS DESESPERADOS, título em português, não traduz o verdadeiro sentido do título original, que se refere ao tiro de misericórdia desferido para encerrar o sofrimento de um cavalo que quebrou uma ou mais patas. Feliz e inconscientemente, minha intuição embrionária disparou um tiro de misericórdia no mau uso da alegria, da festa, da ingenuidade. Enfim, da cultura popular.

Desde então, perderam o encanto a bisnaga d’água, a minha receita de sangue-de-diabo (à base de comprimidos amassados de Lacto-Purga e amoníaco), os sacos de filó abarrotados de confetes coloridos, os rolos de serpentina cuidadosamente embrulhados em papel manteiga. Desencanto que alcançou até mesmo a cobiçada ampola lança-perfume. Restou um pesaroso feriado prolongado ….

Mas permanece na atmosfera das lembranças um aroma inebriante, o perfume das canções, a fragrância dos eternos sucessos carnavalescos.

Vamos cantar ?

“Confete, pedacinho colorido de saudade. Ai, ai, ai, ai …

Ao te ver na fantasia que usei,

confete, confesso que chorei !”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: