Entrevista (maio, 2014)

1170851_10201044089963242_917335200_n

 

Entrevista via e-mail para Helder Miranda – Jornal da Orla / Santos, SP – em Maio, 2014.

O que o público pode esperar do show “Quebra Vozes – o ballet vocal de Beto Hora e Alaor Coutinho”?

       Quebra-Vozes (parodiando o ballet Quebra-nozes) é um show musical de imitações, de artistas nacionais e internacionais muito consagrados, incluindo apresentadores, e personagens criados por Beto Hora para seu programa de rádio NA GERAL. Entretenimento bem-humorado, que homenageia os imitados, lembrando canções marcantes.

A parceria com Beto Hora dura mais de 20 anos. A que você atribui o sucesso desta parceria?

       O sucesso da parceria se deve principalmente a auto-crítica e ao respeito mútuo. O resultado é um show equilibrado, que coloca a qualidade do show acima da personalidade de cada um.

Foram centenas de apresentações ao longo deste tempo. Como é a sua relação com ele?

       Como já disse, nosso respeito profissional se transformou numa amizade sólida, difícil de abalar. Mas é um exercício permanente de bom-senso.

 Você é guitarrista autodidata e cantor. Como a música entrou em sua vida?

       Agora estou deixando de ser auto-didata, ou seja, pus a preguiça de lado e estou estudando um pouco de música !!! rsrsrsrs Mas desde criança a música teve muita importância para mim. Eu não pretendia me tornar um profissional, mas a brincadeira ficou séria e segui a carreira, mesmo sendo auto-didata.

E como locutor publicitário, como tudo começou?

       Eu gravava como cantor desde 1974, em jingles e discos. Mas a partir de 1977, passei a trabalhar em rádio, num momento em que se iniciava a expansão das emissoras de FM, e quebrava-se o paradigma dos “vozeirões” para apresentadores. A escolaridade foi fundamental, pois tenho facilidade para idiomas (inclusive para o dificílimo Português !!! rsrsr), bom texto, facilidade de comunicação. A publicidade veio a reboque.

Quando percebeu que as suas imitações eram boas, e quando elas começaram?

       Uma voz chama a atenção, vc tenta imitar. Quem ouve acha engraçado. Pronto ! A partir daí vc passa a observar mais, e vai adquirindo familiaridade com o registro. E arrisca  outras vozes. Sempre gostei de imitar os cantores/as.

Quem é mais fácil, e mais difícil de imitar? Já teve problema com alguma imitação (alguém se ofendeu)?

       Difíceis são as vozes que ficam fora da sua extensão vocal. Quanto mais naturalidade, melhor. Nunca tive problemas com isso, porque faço bom uso, sem agredir o personagem. O Beto idem.

Quem você gostaria de homenagear nestas imitações, e ainda não fez? Por que?

       Gostaria de imitar o Gilberto Gil. Eu o considero o artista musical mais completo que conheci. Também não consegui imitar a Elis Regina e o Milton Nascimento. Seria maravilhoso incluí-los em meu repertório.

Para você, existe algum limite para o humor?

       Quando o humor é muito chulo, histriônico ou ofensivo (bullying, por exemplo) eu não aprecio. Esses são meus limites.

E sobre a sua carreira de radialista, sente saudade desse contato diário com o público?

       O rádio foi uma excelente escola para mim. Adorava o contato com o público. Tenho ótimas lembranças. Mas estou fora há 25 anos, já me acostumei a ser ouvinte novamente. A música é minha prioridade.

Em seus programas de rádio, você se mostrou um profundo conhecedor musical. O que pensa sobre a atual safra da música brasileira?

       Não sou um musicólogo, um especialista. O que sempre procurei foi conhecer melhor os artistas e canções dos quais eu gosto, e passar essas informações. No tempo em que eu atuava na produção de rádio não havia internet. Era preciso garimpar em revistas, jornais, informativos das gravadoras, capas e encartes dos discos. Muita gente ficou com a impressão de que eu sou um profundo conhecedor, mas não sou. Por exemplo, sei pouco sobre jazz e música erudita.

Você afirmou que, quando se sentiu cerceado, por vezes rotulado como “didático”, preferiu sair do ar. Explique.

       Por vezes fui criticado por dar informações, como se isso fosse desnecessário.Nunca tive esse tom professoral, didático.  As emissoras musicais tornaram-se JUKEBOXES. Havia uma certa superficialidade. Entre outras coisas, isso me desestimulou a continuar no ar. Atualmente a mentalidade mudou bastante, talvez por vivermos esta era da informação.

Você utiliza o Facebook para se comunicar com o público e, também, para emitir suas opiniões. É muita exposição para uma figura pública? Qual é o papel do verdadeiro artista na internet?

       Seja nas redes sociais ou não, você pode e deve expor e defender seus pontos de vista. Teòricamente, um artista é um formador de opinião, ou ao menos sua opinião fica mais exposta. Não me incomodo com a exposição, e nem quero posar de engajado. Nem sempre comento o que leio. Atualmente tenho notado um tremendo retrocesso na postura política. Com tanta facilidade para comunicação, sinto um certo patrulhamento, informações truncadas, troca de ofensas. Política no Brasil está parecendo enfrentamento de torcidas organizadas de futebol . Como defendo o parlamentarismo com voto não obrigatório, nada do que está colocado me agrada. Considero nosso sistema falido. Democracia não é ausência de ditadura. Portanto levo pancadas de todo mundo !!!! kkkkkkkk Ainda bem que sei rir, inclusive de mim mesmo. Como dizem, sou responsável por aquilo que digo e escrevo, e não pelo que entendem.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: